3 de dez de 2008

Poema XXVII


Se da jornada chego fatigado
e deito os membros lassos neste pouso,
à viagem da mente sou lançado,
o corpo entregue à paz do bom repouso;
longe, o meu pensamento te procura,
numa zelosa peregrinação
e olhar cansado, posto em noite escura,
mostra o que o cego vê, noutra visão;
pois este olhar do espírito imagina
desocultar sem olhos o teu vulto,
que a velha noite adorna e repristina,
gema engastada, quando o desoculto:
em alma e carne lavras inquietude
que noite e dia gera faina rude.


William Shakespeare

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